Um ano de gestão
Pensemos... há pouco mais de um ano, cada qual a sua maneira exercia sua atividade médico-legal; a maioria de nós, onde me incluo, sem entusiasmo algum.
Nosso pobre IML, naquele estado lastimável, que tanto rendeu aos noticiários; como chefes hierárquicos tínhamos militares, ávidos em desmantelar a “máfia branca” que nas suas mentes doentias e despreparadas; negociava corpos por quantias milionárias, vilipendiava cadáveres e vendia seus órgãos para transplantes, entre outras atividades obscuras e nebulosas. Tornamo-nos suspeitos todos.
Financeiramente, nenhuma esperança do que por lei nos era devido, muito menos de sermos lembrados para qualquer melhoria.
Vínhamos para o Instituto apáticos, como chegávamos, saíamos, esperando que o tempo e um novo cenário político nos salvassem.
Porém o descontentamento extremo exigiu de nós mudanças, mudança no nosso comportamento alienado, na nossa maneira servil, abnegada e com isso fazendo uma “mea culpa”, irresponsável com a profissão, instituição, colegas e sociedade.
Era escolher: ou ficaríamos ali como vítimas ou agiríamos em razão da nossa dignidade.
E assumimos então a direção da AMLPR, associação que sucumbira no ostracismo e anonimato.
Assumimos com a missão bem clara, de resgatar o respeito e principalmente o entusiasmo pela atividade Médico Legal. O “entusiasmo” com seu real significado, o de “trabalhar com Deus, trabalhar feliz”.
E neste mês que completaremos um ano de gestão frente a Associação dos Médicos Legistas do Paraná, sem ter talvez correspondido aos anseios de muitos, renovamos aqui nosso compromisso com a mudança.
Mudanças que vão além das causas classistas, abrangem também questões sociais, que queiramos ou não atravessam o nosso dia a dia. Parte da nossa responsabilidade está também em estender nosso olhar para os menos favorecidos.
Pois, temos a voz e o conhecimento que poderá fazer a diferença para muitos que não as dispõem.
Conscientes desta obrigação iniciamos recentemente uma campanha para esclarecimento à população a respeito da lei Maria da Penha.
E esta iniciativa resgatará para nossa Associação, tenho certeza, respeito da comunidade e orgulho para os que dela participam.
Externamos, aqui também, nossos agradecimentos aos que juntos e incansavelmente estiveram ao nosso lado.
E por fim, a quem ainda se pergunta o que de efetivamente conquistamos, não hesito em responder : A nossa identidade de volta. Simplesmente, voltamos a existir e respirar. Será pouco? Pode ser, mas foi essencial termos começado, termos dado o primeiro passo.
E saibam que, se a trajetória está sendo árdua e espinhosa, consegue ser para nós, ao mesmo tempo, desafiadora e estimulante.
Há muito ainda a ser feito neste ano que nos falta.
Então vamos lá, ao trabalho, com “entusiasmo”.

Maria Letícia Fagundes
Presidente da AMLPR gestão 2011/2013
Curitiba, março de 2012.